A morte por afogamento é rápida e silenciosa

A morte por afogamento é rápida e silenciosa

Você passou a vida inteira vendo em filmes e na televisão, afogamentos barulhentos e cheios de pedido de socorro. Não é? Mas, através desse post, você vai aprender que na maioria dos casos o afogamento é um evento silencioso e que pode passar despercebido até por quem está ao lado do acidentado.

A Resposta Instintiva de Afogamento ou IDR (da sigla em inglês “Instinctive Drowing Response”) – termo cunhado por Francesco A. Pia, Ph.D – é o que as pessoas fazem para evitar o sufocamento real ou percebido (imaginário) na água. E isso não se parece com o que a maioria das pessoas esperaria. Há quase nenhum tipo de aceno frenético ou gritos de socorro. Para se ter uma idéia de quão quieto ou desprovido de agitação na superfície o afogamento pode ser, considere o seguinte dado fornecido pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC):

  • O afogamento é segunda causa de morte acidental em crianças até 15 anos (a primeira são acidentes de trânsito);
  • Das cerca de 750 crianças que se afogarão nos próximos 12 meses, ao menos metade acontecerá a menos de 25 metros de um dos pais ou adulto;
  • Em 10% desses afogamentos, o adulto o presenciará sem ter idéia de que está acontecendo. O Afogamento não se parece com afogamento.

Em um artigo para a Revista On Scene, da Guarda Costeira Americana (edição de Outono de 2006, pág. 14), o dr. Pia descreveu o IDR como segue:

  1. Exceto em raras circunstâncias, pessoas se afogando estão fisiologicamente incapacitadas de gritar por socorro. O sistema respiratório foi projetado para a respiração; a fala é uma função secundária. A respiração precisa acontecer antes que a fala ocorra;
  2.  A boca de quem se afoga fica alternadamente acima e abaixo da superfície da água, e quando acima não tem tempo suficiente para exalar, inalar, e gritar por socorro rapidamente antes que comecem a submergir novamente;
  3. Pessoas se afogando não acenam por socorro. O instinto as força a estenderem os braços lateralmente e pressionar a superfície da água de forma a permitir que a pessoa erga o corpo e, respectivamente, sua boca para respirar;
  4. Durante todo o tempo que dura o IDR, quem está se afogando não consegue controlar voluntariamente os movimentos dos braços. Fisiologicamente, não conseguem parar de se debater na superfície da água e interromper o afogamento com movimentos voluntários como acenar por socorro, nadar em direção a um possível resgate, ou tentar alcançar algum tipo de equipamento que as ajudem a flutuar;
  5. Do começo ao final do IDR, o corpo da pessoa permanece vertical em relação á agua, sem evidência de esteja dando pernadas para se manter nessa posição. A menos que seja resgatada por um salva-vidas treinado, ela só conseguirá se manter nessa posição entre 20 e 60 segundos antes de submergir.

(Fonte: On Scene Magazine: Fall 2006)

Isso não significa que uma pessoa gritando por ajuda ou se debatendo na água não esteja em perigo real – elas estão passando por um episódio de stress aquático. Nem sempre presente no IDR, o stress aquático não dura muito tempo, mas ao contrário do afogamento, essas vítimas ainda podem auxiliar em seu próprio salvamento agarrando bóias, cabos de resgate, etc. Fique atento para esses outros sinais de que um afogamento pode estar acontecendo:

  • Cabeça baixa na água, boca abaixo da superfície;
  • Cabeça inclinada para trás com a boca aberta;
  • Olhos vidrados e vazios, sem foco;
  • Olhos fechados;
  • Cabelos sobre a testa ou olhos;
  • Posição vertical na água, sem o uso das pernas para dar propulsão;
  • Hiperventilação ou engasgos;
  • Tentativa de nadar um uma direção particular sem progresso real;
  • Tentativa de se virar de costas para a água;
  • Movimento de subir escadas, raramente para fora d’água.

Portanto, se um tripulante ou passageiro cair na água e tudo parecer em ordem, não esteja tão certo disso. Às vezes a indicação mais comum que alguém está se afogando é que… não parece que eles realmente estão. Pode parecer que estão apenas boiando e olhando para o deck.

Como se certificar que uma pessoa está em perigo? Pergunte claramente “Você está bem?”. Se a pessoa puder responder qualquer coisa ela provavelmente está. Se você receber como resposta apenas um olhar vazio, você tem menos de 30 segundos para salvá-la antes que se afogue. E um recado aos pais: crianças brincando na água são barulhentas. Quando elas ficarem quietas, vá rapidamente verificar o porquê. 

Fonte:  gcaptain.com

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Beijos, 

Ananda Urias

ananda@maezice.com.br

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Ananda Urias
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1 Comment

  1. Carol
    22 de setembro de 2016 / 11:29

    Passou um filme na minha cabeça agora…
    eu já me afoguei e foi exatamente como descrito. Devia ter uns 5 anos de idade, ia pela primeira vez ao clube, qdo vi a primeira piscina, pulei sem pensar. Tinha uma senhora ao meu lado, eu subia e afundava, batia os braços e, por sorte, a piscina não era tão funda e eu batia os pés no fundo pra subir, até cheguei a tentar pedir ajuda (mas minha voz saía qdo minha boca já estava debaixo d’água novamente), acho q na terceira vez q subi ela percebeu e me tirou da água. Meus pais só perceberam o q tinha acontecido qdo ela me colocou na borda da piscina. Só de lembrar fiquei sem ar…
    Td cuidado é pouco. Mesmo. Não culpo meus pais em momento algum por isso. Apesar de ainda ser capaz de descrever tds os detalhes desse afogamento, sei q não durou mais q 30 segundos.

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