Depressão pós parto: precisamos falar sobre isso!

Depressão pós parto: precisamos falar sobre isso!

Tive um baby blues devastador, por pouco não me afundei a ponto de chegar até uma depressão pós parto. Algumas pessoas, principalmente nas redes sociais, que acompanhavam o meu trabalho chegaram a questionar os textos que escrevia na época, a maioria deles deixava muito claro as dificuldades que eu estava passando no momento. Mas as pessoas não estão prontas para acariciar uma recém mãe, é mais fácil julgar. Sempre esperam de nós uma felicidade incondicional, mesmo que em meio ao caos. Por isso, hoje, o nosso post é especial: Carol, a nossa psicologa materno infantil, blogueira no Infância e Maternagem, vai falar um pouco sobre a depressão pós parto e a necessidades que temos de falar URGENTEMENTE sobre esse assunto. Vamos nessa?

Sobre a devastadora depressão pós-parto

“Quando eu era pequena tive uma boneca linda que ganhei de presente no meu aniversario de 3 anos, mas um dia fui brincar na casa de uma coleguinha e esqueci de trazê-la de volta. Só percebi que estava sem minha boneca quando cheguei em casa. Lembro que chorei a noite inteira pensando que tinha perdido. Mas, aconteceu algo muito pior com ela e o que sinto hoje quando olho para minha filha de 45 dias é igual ao que sentia quando criança e olhava para minha boneca… Ela parecia estar morta. O cachorrinho da minha amiga tinha encontrado e mordido. Eu olho para minha bebê e sinto muita dor, é como se ela não existisse, e a dor que sinto é por esse vazio. Ela está ali, mas eu não consigo vê-la”.

Esse é o trecho de um depoimento de uma mãe que estava vivendo um doloroso processo emocional, uma depressão pós-parto violenta que tinha lhe roubado a expectativa da felicidade plena ao lado de um bebê desejado e deixado como vestígios uma dura realidade encoberta por uma fantasia obscura de dor e morte.

A chegada de um filho na vida de um casal é um dos mais intensos processos de subjetivação que precede mudanças emocionais, culturais e sociais. As expectativas depositadas sobre o papel feminino em relação ao exercício da função materna exercem uma pressão muitas vezes cruel. Nesse post abordo o tema da depressão pós-parto feminina, alguns estudos atuais já mostram que uma pequena parcela dos homens também apresentam sintomas depressivos após a paternidade, porém, é um assunto que merece um texto exclusivo.

Milhares de mulheres sofrem caladas

A pesquisa “Nascer no Brasil” relizada pela Fiocruz em 2014 constatou que, cerca de 26% das mulheres apresentam sintomas de depressão pós-parto aqui em nosso país, de um modo geral, os estudos apontam que até 20% das mães em todo o mundo sofrem com a manifestação dessa doença que devasta um dos momentos mais sensíveis da vida de uma mulher – a chegada de um filho.

Na maioria dos casos os sintomas surgem a partir das primeiras quatro semanas após o parto, alcançando sua intensidade máxima nos seis primeiros meses, porém, durante ou até mesmo antes da gestação já é possível perceber traços de vulnerabilidade: mulheres com algum histórico de outros transtornos afetivos; cesarianas não planejadas; mulheres que sofrem de TPM; que passaram por problemas de infertilidade; que sofreram dificuldades na gestação; vítimas de violência; mães solteiras; mulheres que perderam pessoas importantes, que perderam um filho anterior, cujo bebê apresenta anomalias, que vivem conflitos conjugal, que se casaram em decorrência da gravidez.

Saúde materno-infantil em risco

Este é um sério problema que afeta tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento de seu filho, a maior dificuldade em nosso país é a falta de informações das equipes profissionais que lidam diretamente com as questões da gestação, e o difícil acesso da população geral às práticas de prevenção, pois, existe uma lacuna em nosso sistema de saúde quando se fala em bem-estar emocional.

Mas, será possível evitar que estes sintomas sejam desencadeados? Na verdade, os fatores relacionados à depressão são muito subjetivos e variados, porém, certamente, se houvesse uma política voltada para práticas tanto particulares quanto públicas de orientações e informações direcionadas ao conhecimento da população a respeito dos sintomas e ações de tratamento, provavelmente teríamos a chance de minimizar a intensidade e a duração do sofrimento materno-infantil.

Diferente do “Baby Blues”, a depressão pós-parto é mais intensa e os sintomas permanecem e se prolongam após o puerpério.

Os sintomas mais comuns são desânimo persistente, sentimentos de culpa, alterações do sono, idéias suicidas, medo de machucar o filho (o que provoca afastamento entre mãe e bebê), diminuição ou aumento exagerado apetite , redução do nível de processamento mental (raciocínio lento) e presença de idéias obsessivas ou supervalorizadas especialmente com conteúdos depreciativo.

A depressão materna no pós-parto tem conseqüências graves para a criança em diferentes áreas do desenvolvimento, prejudicando a formação do vínculo na relação mãe-bebê, o desenvolvimento neurológico, cognitivo e psicológico na infância, e consequentemente o desenvolvimento socioemocional na adolescência que perdurará por outras fases.

É preciso acolher e ouvir sem julgamentos

Essas mulheres e suas famílias precisam de apoio, depressão pós-parto não é uma rejeição á maternidade ou ao filho, são questões emocionais profundamente conflituosas e incompreendidas que estão em jogo, é um problema que precisa ser compreendido e tratado, e dispensa qualquer julgamento alheio e leigo. Precisamos acolher, e apoiar estas mães, ouvi-las e respeitar sua dor. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é fundamental para a recuperação.

Se você conhece algum caso, tente ajudar, não julgue nem critique gratuitamente.
Texto: Carol Arruda
Instagram, facebook e blog: Infância e Maternagem

Espero que vocês tenham gostado.

Beijos,

Ananda Urias
ananda@maezice.com.br
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Ananda Urias
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