“E se o funeral fosse do seu filho?”

“E se o funeral fosse do seu filho?”

Sempre que acontecem acidentes envolvendo crianças, é comum encontrar nas redes sociais comentários sobre o ocorrido. Mas eu sempre fico chocada ao ler diversos comentários com perguntas como: “Onde estavam os pais dessa criança?” E pensamentos como: ” Isto é o que acontece quando você não está de olho nos seus filhos!” Precisamos urgentemente refletir sobre isso.

Pais, eu imploro, parem de culpar e envergonhar outros pais.

Trinta e cinco anos atrás, uma mãe foi fazer compras na loja de departamentos Sears. Ela queria apenas comprar lâmpadas para a sua casa e deixou o seu filho, uma criança de 6 anos de idade, com outro grupo de rapazes que estavam experimentando o novo jogo de Atari em um quiosque da loja. Adam Walsh, era um menino americano que foi raptado em Hollywood, Flórida, e mais tarde encontrado morto e decapitado numa cidade vizinha.

Trinta anos atrás, um bebê de 18 meses brincava com a irmã no quintal de casa quando a mãe deixou as crianças sozinhas para atender o telefone dentro da residência. Minutos depois, a criança desapareceu dentro do poço abandonado no quintal da sua casa. Depois de 2 dias e meio de trabalho árduo dos bombeiros, baby Jessica (como ficou conhecida no mundo inteiro) foi resgatada com vida.

Em ambos os casos, uma tragédia aconteceu – um trágico acidente, um imprevisto, ocorreu. Apesar de ter desfechos diferentes, ambas histórias moveram uma nação inteira de pais em prol de um objetivo comum: apoiar os pais que sofriam o luto ou a angustia.

Deixe-me repetir: Todos torceram juntos pelo resgate com vida das crianças. NÃO HOUVE JULGAMENTO. NENHUM JULGAMENTO. NENHUMA CULPA.

Sem perguntas, nenhum único: ” Onde estavam os pais?” – apenas um país de outras mães e pais, avós e vovôs, olhando com horror como um conjunto de pais, que passaram pelo inimaginável. Naquele momento, Adam era nosso filho. Jéssica era nossa filha bebê.

Aqueles pais eram nós. Aqueles pais poderiam ser eu e meu marido ou você.

Passando para 2016, o ano dos “Pais Perfeitos”.

Essa semana, um menino de 2 anos de idade, se divertindo próximo as águas das proximidades do lago mágico de um Hotel Disney, sucumbiu aos confins da mãe natureza. Um jacaré agressivo o arrastou para dentro da água, sob a vigilância de seu pai, que tentou lutar com o jacaré para libertar seu filho bebê. Puro horror. Os pais tiveram que assistir o seu bebê ser tomado das mãos deles, como se fosse algum documentário da National Geographic.

Um trágico acidente e imprevisível. Um acidente.

Choro por esta mãe e pai. Estou doente de angústia para a dor, agonia, tristeza e pesar pulsando em suas veias neste exato segundo. E eu aposto que você também está.

Mas nem todo mundo está.

Você vê, nós agora vivemos em uma época onde os acidentes não são permitidos acontecer. Você me ouviu: Acidentes, de qualquer forma, em qualquer forma e em qualquer momento, bem, eles simplesmente não acontecem mais.

Por quê? Porque existe a culpa e a vergonha.

Porque nós nos tornamos uma nação culpabilizadora

E como permitir acidentes se não podemos culpar ninguém? Certamente, eles não podem, certo? Quer dizer, atos aleatórios da natureza, tragédias inevitáveis e eventos de mudança de vida fatais que ocorrem em questão de nanosegundos não podem acontecer com pais responsáveis, certo? Não.

Eles não podem, porque este país e sua população de mães e pais “perfeitos” sentado atrás de teclados precisam acusar alguém. Eles precisam culpar, depreciar, criticar em todos os sentidos e em cada esquina a paternidade de outro.

E quando eles realmente começa a morder os lábios de culpa? Quando um trágico acidente acontece. É quando quem ataca está no seu momento mais frescos, quando emoção crua e ignorância colidem, e eles cavam suas garras em formas de palavras, e tomar posse de tudo o que enfeitam estas mães e os pais em luto e não deixaram nada em suas almas..

E então arrancam o que resta fora.

Ouça-me muito claramente, os pais perfeitos, muito claramente.

Eu estou farta!

Eu estou farta de percorrer comentários maldosos e ver perguntas como: “Onde estavam os pais?” E pensamentos como: “Isto é o que acontece quando você não ver os seus filhos.”

Eu simplesmente estou farta.

Eu tenho uma pergunta para os pais e mães que adoram apontar o dedo. Você sabe, aqueles que imediatamente culpam os pais, os que vão na Internet e digitam comentários como: “Isso não é nada, mas a negligência por parte dos pais”, e “Eles deveria ter conhecido melhor. Quem estava assistindo aquele menino? “, E meu favorito,” Eu nunca deixaria isso acontecer com meu filho. ”

Aqui está a minha pergunta:

Você já foi ao funeral de uma criança antes?

Eu já.

O funeral de uma criança é um evento na vida que você nunca, nunca quer experimentar.

Agora deixe-me fazer outra pergunta.

Na semana que vem, esses pais vão voltar para sua casa em Nebraska sem um dos seus filhos. Eles vão deixar um resort de férias, arrumando o pijama de Buzz Lightyear e seu cobertor favorito, e eles vão fazer uma viagem para casa extremamente difícil. Uma viagem que nunca, em um milhão de anos pensaram que estariam fazendo.

Eles vão se encontrar com um agente funerário, escolher um pequeno caixão, um pequeno terno e um sepultamento rodeado pela família. Eles vão enterrar seu bebê.

E eles vão sofrer todos os dias para o resto de suas vidas.

No funeral deste menino de 2 anos de idade, que morreu na frente de seus pais, você pode me fazer um favor? Você pode caminhar até a mãe e dizer as palavras que você acabou de digitar na semana passada? Você pode? Você pode recebê-la, abraçá-la, apertar a mão do pai e, em seguida, dizer: “Quem estava assistindo aquele menino? Você deveria ter conhecido melhor. Eu nunca deixaria isso acontecer com meu filho “.

Você pode fazer isso por mim? Quero dizer, você sentiu essas palavras tão profundamente em seu coração e alma que você digitou para um milhão de pessoas para ler. Certamente você pode dizê-lo direto para os rostos das pessoas que você significou para ele, certo?

Aqui, deixe-me ajudá-lo.

Arrumar o seu tridente por um momento e tente o seguinte:

Para a mãe e o pai que foi para uma caminhada em férias pela última vez com seu garotinho ontem, lamento profundamente que você teve que experimentar o pior tipo de tragédia possível, um acidente. Sofro com você. Seu bebê era meu bebê. Seu filho era meu filho. Não tenho nada além de amor para você, o amor para ajudá-lo a obter embora a dor ontem, hoje e para o que vai parecer nos amanhãs. Eu envolvo meus pensamentos e orações em torno de seu coração e alma doloridos. Que o Deus do universo, de alguma forma milagrosa traga paz para você e sua família.

Isso é o que você diz. E apenas isso.

Pare de culpar

Pare de envergonhar

Nas horas mais sombrias, será que podemos apenas amar os outros pais. Por favor?

Texto: Melissa Fenton
Tradução: Camila Nogueira/ adaptação: Ananda Urias

Esse texto tocou profundamente o meu coração e o da minha amiga Camila, por isso, quisemos compartilhar ele com vocês. Vamos refletir e convidar outros pais a fazerem o mesmo. As nossas palavras têm o poder de disseminar ódio ou cativar amor. Qual caminho você irá escolher? 

Beijos,

Ananda Urias
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Ananda Urias
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18 Comentários

  1. Lana Motta
    17 de junho de 2016 / 11:21

    Pronto, abriu a copota novamente. Ontem eu já morri de chorar quando encontraram o corpo desse bb, agora, depois de ler esse texto, to me acabando aqui novamente.

  2. Fernanda Saatman Monteiro
    17 de junho de 2016 / 12:17

    Nos dias de hoje infelizmente está assim, ninguém quer o bem do outro sem trocas, não há um dia sem julgamentos, não há nada que escape de crítica.
    Imaginem a dor desses pais?(impossível!) Além de perder um filho de uma maneira tão horrível, ainda serem julgados como negligentes. Não sou mãe e vou demorar uns anos para ser, mas, já amo só a ideia de ter um ser confiado por Deus aos meus cuidados e o do pai… Que Deus dê conforto a essa família, porque a saudade eu sei que nunca passa, sempre haverá um vazio impossível de preencher. Muita paz e luz!

  3. Juliana Morcourt
    17 de junho de 2016 / 14:30

    Termino de ler esse post com lágrimas nos olhos. No mundo em que vivemos somos cobrados diariamente para sermos pais perfeitos. Isso nunca vai acontecer…. eu não sou uma mãe perfeita e nem quero ser…. com a vida atribulada que temos, somos passíveis sim de que aconteça tragédias como essa. Precisamos nos colocar no lugar desses pais, que não poderão acompanhar o crescimento do seu amado filho. Precisamos ter mais amor no coração e transmitir esse amor para todos que convivem conosco. Peço a Deus que conforte o coração desses pais e todos os outros que passaram por esse drama.

  4. Luana
    17 de junho de 2016 / 15:07

    Muito lindo

  5. Rafa
    17 de junho de 2016 / 17:45

    É muito julgamento e pouco amor. Temos sempre que nos colocar no lugar do próximo, ao invés de julgar.

  6. Josiele
    17 de junho de 2016 / 22:26

    Lindo o texto, não a quem nao se emocione, mim coloco no lugar desses pais tbm…que dor horrorosa q devem estar sentindo,ve seu filho morrer dessa forma sem poder fazer nada, foi um trágico e terrível acidente, sinto muito por eles e rezo pra q Deus conforte o coração d todos

  7. Erika Carvalho
    18 de junho de 2016 / 03:49

    Desde o momento em que soube dessa tragédia, senti um desespero, me coloquei no lugar desses pais e até hj penso nessa situação… É absurdo ver como as pessoas estão cruéis e não sentem mais empatia pelas outras. Fiquei chocada com alguns comentários q li, mas o pior foi um q a pessoa levantou a hipótese de que os pais deixaram o menino se afogar e culparam o Jacaré. …estamos vivendo em um mundo de pessoas contagiosas, e essas pessoas estão deixando doente td o q tocam.

  8. Raquel
    18 de junho de 2016 / 23:36

    As pessoas que escrevem esses comentários culpando os pais e dizendo que nunca aconteceria com eles fazem isso porque não querem aceitar que poderiam ser eles ali. É mais fácil culpar alguém do que aceitar que não controlamos os fatos do mundo e da vida. Acontece. E, acontecendo, o que vai adiantar esse tipo de comentário?

  9. Eduardo
    19 de junho de 2016 / 08:35

    O acidente não era imprevisível. Funcionários da Disney já haviam alertado a empresa sobre os perigos dos crocodilos e sobre a necessidade de sinalizar o local. Foram ignorados.

  10. Maria
    19 de junho de 2016 / 10:43

    Nossa belo texto. Tbm fiquei indignada com os comentários sobre o assunto do menino, respeito os veganos, vegetarianos mas fico chocada qdo vejo as pessoas mais revoltadas com o sacrifício dos jacarés do que com a morte de uma criança, aí vejo pessoas comentando que se fosse meu filho não estaria ali e blá blá blá…Eu penso ou a pessoa que comenta isso não tem filhos ou o que é pior, ter filhos e fazer esses tipos de comentários pq em vez de solidarzar com a dor dos pais, fica julgando. É triste de se ver…

  11. Scheila
    19 de junho de 2016 / 11:58

    Acredito que deveríamos. Sim tomarmos mais cuidado!se eu perder meus filhos!por negligência minha certamente né cuparia a vida toda!

  12. adriana
    19 de junho de 2016 / 12:21

    Ótimo texto, mas alguns erros de tradução… “deveria ter conhecido melhor” deve ser “should have known better”… a tradução não faz sentido. Talvez “Você devia saber”, mas é uma estrutura chatinha de traduzir.

    • Ananda Urias
      19 de junho de 2016 / 20:35

      O texto foi adaptado. Obrigada pelo seu comentário! 🙂

  13. Luzinete Lobato
    19 de junho de 2016 / 13:21

    Ė muito fácil julgar…. mais só sabe a real tristeza da perda quem passa. Um “pai /mae” que perde seu filho jamais voltarar a ser como antes…. digo isso pois este mês fez 6 anos que perdi minha princesa, um “descuido”….ela se foi. 6 anos sem dormir direito, 6 olhando para uma criança e imaginando o q ela estaria fazendo… como ela estaria, 6 anos d lágrimas, 6 anos d perguntar POR QUE COMIGO? POR QUE ELA?. … 6 anos sem resposta alguma…
    E acreditem…. eu ouvir muito…. porque vc a deixou sozinha…quando eu tiver o meu não vou desgrudar dele….
    M coloco no lugar desses pais q perderam suas crianças…. compartilhamos da mesma dor!

  14. Loide Lopes
    19 de junho de 2016 / 18:59

    Não justificando este erro de as pessoas estarem julgando,mas elas não estão fazendo por mal tbm, estão tão indignadas tanto quanto qq uma aqui, e pessoas podem mudar tbm viu, pois eu já fui muito assim tbm, mas não vou dizer que mudei totalmente ainda,leva um tempo quando se decide mas se consegue, lendo este texto duvido que tenha alguém que não chore ou fique muito, muito triste!

  15. Maria Teresa
    20 de junho de 2016 / 01:36

    Revoltante é o descaso do Resort! Deveriam colocar não avisos e, sim, grades protetoras em volta do lago. Pobres pais! Pobre criança! Pobres pessoas tão insensíveis a ponto de fazer tal julgamento! Decerto nunca perderam um filho,

  16. Anne
    21 de junho de 2016 / 16:50

    Vi um comentário esses dias sobre esse assunto. A pessoa dizia: “Pelo que eu vi os pais podiam ter salvado a criança. Porque não salvaram?”
    Meu Deus! Era um CRO-CO-DI-LO!! E o pai ainda entrou na água e lutou com um CROCODILO para tentar salvar o filho!!!! Eu fiquei imaginando aquelas cenas de filme tipo “Crocodilo Dundee” e pensando se eu teria a metade da coragem daqueles pais para entrar na água e lutar com um crocodilo para tentar salvar meu bebê de dois anos! E quando acharam o corpinho do bebê afogado… Que tristeza! Como aqueles pais devem ter sofrido pensando que ainda podiam ter salvado seu filho!
    Como sofri com essa história! Aquele era o meu bebê (meu caçula também tem 2 anos), eu era aquele pai e aquela mãe desesperados!
    Pobres pais perfeitos no dia em que acontecer um “acidente” com seus filhos. Não desejo de forma alguma isso pra ninguém, mas nós, pais e mães, bem sabemos como o cuspe que lançamos costuma voltar na nossa própria testa ;'(

  17. Cláudio Henrique Matias
    23 de junho de 2016 / 22:45

    Já ouvi muitos comentários mas sempre tem pessoas tecendo palavras maldosas mas nunca se colocando no lugar daquela família. A pouco tempo foi morar com deus um amigo que não era apenas um amigo e sim um irmão assim sempre nos entendíamos sempre como irmãos e nunca se quer discutimos. Mas foi morar com deus ele é seu sobrinho. Mas senti muito muito a ponto de me fechar dias e chorar. Por ter partido mas li comentários horríveis no qual não se colocaram no lugar da família e sim disseram de cabeça e não de coração porque mesmo sabendo que o ser humano não tem cura na sua maldade prefiro acreditar cada um que tecem comentários para ofender mas ainda a família em uma hora onde não desejo nen ao meu pior inimigo que leiam e releian várias vezes o que disseram e antes de se deitar para dormi todos os dias ao rezar orar para deus pergunte se o que falou em um comentário como este se é certo ou errado. E goste muito das palavras confortantes que teceram no texto a cima Deus abençoe a todos

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