Mãe, afeto não é prisão.

Mãe, afeto não é prisão.

Filho, ao seu lado descobri que assim que um filho nasce, podemos perder os sentidos. Parece que tudo se moveu por dentro: minhas certezas mudaram de lugar, meus conceitos nem sei onde estão, tem dias que me olho e nem sequer me reconheço.

Eu tinha um plano. Mas você chegou para me mostrar que os meus planos eram superficiais, que eu enxergava o mundo através do meu próprio conforto. Eu era uma pessoa egocêntrica e nem desconfiava.

Até o dia em que você nasceu, e gerou dentro de mim uma revolução. Em alguns dias, vivo uma verdadeira guerra entre o meu amor próprio exagerado e o amor incondicional que encontrei ao seu lado. Como pode alguém tão pequeno, gerar em mim um sentimento tão grande?

Eu me perdi em mim mesma e não foi fácil me reencontrar. As vezes, sentia que aquele amor que me libertou de mim, me aprisionava a outro alguém: você. Um misto de sentimentos bons e ruins. Mas onde foi que eu errei? Só me falaram sobre o amor que eu ia sentir, esqueceram de me contar que eu também poderia sentir falta de mim. E eu senti…

Fui aprisionada pelo medo, pela insegurança, pela incerteza do nosso futuro. Lembra dos planos? Eu me sentia confortável tendo o controle dos meus sentimentos e amava ter a direção dos meus dias, mas desde o dia que eu te conheci, agendas e relógios perderam toda a sua função para mim.

Preciso admitir que me senti pequena perto de um sentimento tão grande. E nesse amor todo, onde é que eu me encontro? Não é fácil se acostumar com tanto abnegação.

Enquanto o coração transbordava de um amor inexplicável, o meu ‘eu’ se desfazia.
Eu sei que preciso de você assim como preciso de mim. Não sou a mesma, mas sou eu mesma: por você, eu me refiz.

Afeto não é prisão, afeto não gera amarras. Maternidade não é uma prisão, maternidade não gera amarras. A maternidade me libertou do pior de mim, a maternidade gerou em mim um amor sem fim.

Não tomo banho na hora que quero, não como na hora que sinto fome, não saiu na hora que planejo, não vou ao banheiro na hora que preciso, não durmo o tanto que gostaria… mas ainda assim, descubro todos os dias que afeto não é prisão.

Por te amar tanto assim, descobri um outro ‘eu’ em mim. E sabe, filho? Não troco esse eu por nenhum outro. Ao teu lado aprendo todo dia a encontrar o melhor de mim.

Afeto não é prisão. Todos os dias, o teu amor me liberta!
Com amor, mamãe.
Texto: Ananda Urias

Ananda Urias
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