Meu relato de parto – Alice chegou

Meu relato de parto – Alice chegou

Eu sempre quis escrever sobre o meu parto, mas achava que era inútil falar sobre um parto cesárea. Já que esse, não tem metade da riqueza de detalhes de um parto normal. Mas 10 meses depois eu consigo enxergar muita beleza naquele momento… beleza que vai além do nascimento da minha pequena Alice. No dia 1 de Maio, nasceu junto com ela uma nova mãe, uma nova mulher. E agora, eu tenho certeza de que o meu relato pode ajudar outras mães ou grávidas que estão em busca de experiências enriquecedoras com a maternidade. Seja bem vinda, sente e fique à vontade…

Relato de parto – Alice chegou

Um parto começa a ser planejado quando a mulher se descobre grávida, mas o meu começou muito antes do positivo tão sonhado. Era um típico verão recifense, quando em Abril de 2014 decidimos realizar o sonho da primogênita: enfim, iriamos engravidar. Desde pequena, muito pequena, Lara me pedia um irmão. Depois de um tempo foi convencida gentilmente pela sua tia que uma irmã era legal também. Nessa altura do campeonato, com 5 anos recém completados, Lara pouco se importava com o sexo do bebê. Ela queria um bebê para ser dela! Ela nos contagiou com a sua vontade… e fez nascer em mim um desejo imenso de ser mãe novamente. Nessa altura da história, eu já tinha um blog materno e já passava horas do meu dia pesquisando sobre assuntos relacionados a maternagem. PARTOS estavam entre os meus assuntos prediletos, sem dúvidas.

Um bebê por minuto era o meu programa de televisão preferido e com aquelas experiências, nascia em mim uma vontade de PARIR. Dizem que parir, por vias naturais, é transformador… eu queria me sentir assim. A minha gestação anterior, tão conturbada, me fazia planejar com cuidado cada passo da nova jornada. Mas o que eu não sabia era que essa escolha, não cabia a mim.

Um mês depois de liberar para a segunda gestação, fui surpreendida com um positivo rápido. A minha reação não poderia ter sido outra. Você acha que eu pulei de felicidade? Sai gritando no meio da rua? Não. Eu estava feliz, mas ali eu senti o peso da responsabilidade sobre outra vidinha que estava por vir.  A alegria durou muito pouco e eu logo descobri que o serzinho dentro de mim não se desenvolveu da forma correta. Ah, como eu chorei. Ah, como eu sofri. Só que rapidamente o pranto se transformou em riso: 1 mês depois eu estava grávida novamente. E foi ai que decidimos ir com calma… foi ai que nasceu em mim uma Ananda um pouco mais paciente.

O meu sonho do parto normal humanizado na água se mantinha de pé, mas o destinou pregou uma peça e por motivos de trabalho fomos transferidos para Fortaleza. Eu vi o meu sonho ruir. Passei meses em busca de uma equipe médica que me desse o suporte que a minha médica me dava, e não consegui me encaixar. Uns médicos eram cesaristas disfarçados (“faço o seu parto normal sem problema, mas só espero até a 39 semana”/ faço o seu parto normal, mas vamos vê se você consegue”/ “o seu bebê dificilmente vai virar…”/ “PN depois de uma cesárea é muito arriscado, você pode matar o bebê, sabia?) ou naturalistas exagerados (“nada de anestesia”, “eu só faço cesárea em casos extremos, você está preparada?…”).

Busquei o equilíbrio medico que tinha e não encontrei. Encontrei equipes inteiras que nem sequer escutavam o que eu tinha a falar, encontrei médicos que não lembravam o meu histórico (mesmo olhando na ficha consulta após consulta), encontrei médicos que me perguntavam 20 x a mesma coisa, que não me enxergavam como ser humano, como uma mãe cheia de medos e ansiedades. No quesito preocupações na gestação, Alice estava mais para a primeira filha, e eu para mãe de primeira viagem. Eu tinha sentido a dor profunda de perder um bebê que eu tanto desejei, e não teve um dia sequer que eu me amedrontasse com a possibilidade do pior acontecer. Eu buscava em um médico o conforto, uma mão amiga e não encontrei.

No sétimo mês de gestação, estava na hora de decidir: onde Alice vai nascer? Nascer em Recife, com a minha equipe médica de confiança e ao lado da minha família, foi a minha decisão. Mas para que isso acontecesse, foi preciso abrir mão do meu tão sonhado parto. Escolhi a minha segurança física e emocional, ao invés do parir.

1 DE MAIO DE 2015

Viajei para Recife com uma semana de antecedência do parto. Estava sentindo MUITAS DORES… cheguei a orar várias vezes para que nessa semana Alice quisesse nascer por conta própria! Em Fortaleza, Victor deixou uma mala no carro para um caso de emergência. Ele já sabia que seria informado caso necessário, e a ordem era: não importa o valor, pegue o primeiro avião rumo à Recife que você encontrar. Mas Alice decidiu não se antecipar…com 39 semanas e um dia, com a família completa, seguimos rumo à maternidade. Era chegada a tão esperada hora!

O que quase ninguém sabia era que eu não estava com medo da cirurgia, eu estava apavorada. Passei dias sonhando com a minha própria morte… Tudo isso culminou na hora de entrar na sala de parto! Lembro de sair do quarto do hospital sorrindo, eu tenho uma tendência ‘ridícula’ a rir em momentos em que estou nervosa.. um riso frouxo, desengonçado, descompensado. Eu só fazia sorrir! Minha família chegou e minha avó fez uma oração, pedindo a Deus proteção e saúde. Ali, diante de uma sala fria, deitada em uma mesa fria, cercado de médicos mascarados é impossível não temer. Mas o clima da sala nada tinha a ver com a humanização dos meus médicos, que por sinal, deram um show a parte em todo o meu processo… O meu medo era interno: “Se eu morrer, não vou ver as minhas filhas crescerem…”.

Alice nasceu. Um choro estridente invadiu a sala… ela buscava insistentemente por mim. ‘Alice, oi! eu estou aqui’. Falei repetidas vezes para ela, que enfim estava ali! Tão pertinho de mim. Agora, enfim, sem medos, sem receio.. era verdade, era real: ela nasceu para mim.

Ter uma cesárea requer muita coragem. Ter um filho nos dias de hoje requer (uma pitada de) heroísmo. Alice me ensinou a curar as minhas dores, os meus medos… não foi do dia para a noite, acredite. Não nasci mãe de Alice ali na mesa de parto, nem no positivo da gestação tão desejada. Nasci mãe de Alice no dia a dia. Me transformo mãe de Alice todos os dias. Ser mãe é uma experiência única e transformadora. Parir pode até ser transformador… mas eu encontrei a minha própria de me transformar.

Ah, o amor.

Feliz e eterno 1 de Maio de 2015. Ela nascia para o mundo e eu renascia em mim.

Ananda Urias

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Ananda Urias
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15 Comentários

  1. Bruna
    10 de Março de 2016 / 23:08

    Que lindo Ananda, me emocionei. Lindo relato. Realmente, a maternidade nos transforma dia a dia! E fiquei super feliz em saber que sua princesa nasceu no mês do meu pequeno tutu. Bjos

  2. Carol
    10 de Março de 2016 / 23:36

    Linda é emocionante história… Ainda não sou mãe mas adoro te acompanhar e já sonhar com o tão esperado filho!

  3. Luciana Lima
    10 de Março de 2016 / 23:39

    Quanto amor…independentemente se o filho nasce de um parto natural, normal , cesaria.. Ele nasce no coração e não há diferença na emoçao que sentimos ao ver nosso filho pela primeira vez. Parabens Nanda, lindo relato e vídeo emocionante!

  4. Carol
    11 de Março de 2016 / 01:42

    Que lindo,Ananda. Realmente é uma pena que as coisas não aconteçam da forma que planejamos. Fui mãe aos 14 anos e tive meu filho de parto normal,esperava na segunda gestação(aos 20) também ter parto normal,porém tive pré-eclampsia e fui submetida a uma cesariana de emergência. Enfim,dia 25 de janeiro de 2016 ás 14:25 com 34 semanas e 5 dias,minha Alice chegou.

  5. Geane
    11 de Março de 2016 / 07:53

    owwwwwww que coisa mais linda Nanda! Chorei aqui to toda borrada kkkk *-* mto lindo, vc escreve mto bem e esse vídeo me emocionou demais! Parabéééns!

  6. Lana Motta
    11 de Março de 2016 / 09:32

    E eu que nem uma retardada vendo o vídeo e chorando….

  7. Zodiak Souza
    11 de Março de 2016 / 09:56

    Lindooooo!! Me emocionei lembrando do meu rapaz que hoje tem 5 meses…rsrs..o tempo voa demais! Bjim

  8. Carla Urias
    11 de Março de 2016 / 16:01

    Lindo, Ninha ❤️

  9. Gabriela Valença
    12 de Março de 2016 / 07:27

    Ananda, a minha equipe médica foi praticamente igual a tua e a situação parecida tb…Por motivos de trabalho, eu é meu marido vivemos na Bahia, mas eu queria muito ter meu bebê cercada do amor e carinho das nossas famílias. A cesária foi a melhor opção e, com 39 semanas e 6 dias de gestação, nasceu Marcelo e essa mãe que vos escreve. E mesmo que o parto não tenha sido natural, a beleza daquele momento (sem dúvida o dia mais emocionante da minha vida) é indescritível!
    Sempre tive a convicção que o que faz de uma mulher uma boa mãe é o quanto ela se doa no dia a dia para o filho e a gente observa que você é mãezona em tempo integral. Parabéns! ?

  10. Dayana Sizo
    12 de Março de 2016 / 11:58

    Oi Nanda, minha filhota tem 8 meses e nasceu de parto cesárea. Ultimamente muitas amigas gravidinhas têm tido seus bebês de parto normal e eu ouço por aí “que guerreira, mãe que é mãe não foge da dor”, e por vezes me senti fracassada por não ter conseguido essa façanha também! Mas hoje, lendo (e assistindo) o seu relato de parto, percebi que a magia do nascimento não está em como ele acontece, mas dentro de nós, é o nosso momento único e especial. A minha história de vida, hoje, é um pouco parecida com a sua vida com Lara (que eu acompanhei toda bem de pertinho), e ao assistir esse vídeo eu só imaginei a minha Sofia já grandinha esperando sua irmã/irmão (sim, ainda pretendo ter outros filhos, daqui há uns 6/7 anos, quem sabe). Sucesso Nanda querida, vc me inspira todos os dias a ser uma mãe melhor. ❤

  11. Mariana
    12 de Março de 2016 / 12:10

    Muito lindo e emocionante!
    Também tenho uma Alice ?

  12. Danniely
    16 de Março de 2016 / 10:09

    Que lindo Ananda!

  13. amamda
    23 de Abril de 2016 / 17:07

    Muito linda a sua história, ela me representa … Tive meu primeiro filho de parto normal, nasceu com 38 semanas. Já no segundo filho foi de parto cesariana pois o bebê era um pouco grandinho e o meu medico viu que não tinha condições de ter normal , então quando faltou um dia para as 41 semanas minha bebê nasceu… É incrível porque mesmo sendo mae de segunda viagem o medo ainda é maior de fato vc descreveu os meus medos ?

  14. Viviane
    24 de Abril de 2016 / 16:01

    Muito bonita sua história. Sonho em ter parto normal e, desde que me mudei de Recife pra Aracaju, fiquei com muito medo de ter que desistir da ideia. Minha sorte foi que encontrei uma equipe maravilhosa aqui! Sao 3 medicos que atuam juntos de maneira humanizada mas sem radicalismos sabe? Como vc mesmo disse, a equipe me passa total seguranca e tranquilidade. Nem acreditei quando achei eles por aqui… E pra completar a maternidade particular daqui acabou de inaugurar uma sala de parto com banheira! O nascimento é uma caixinha de surpresas e só deus sabe qual será o desfecho, mas tá tudo se encaminhando super bem até agora (24 semanas).
    O mais legal de estar me sentindo segura aqui em Aju é que não vou ter que me preocupar de viajar na reta final da gestação ou de viver esse momento sem a presença do meu marido! Só tenho pena porque minha filha não será recifense como nós, mas aracajuana! kkkkk

  15. Wellany
    24 de Abril de 2016 / 18:35

    Nao sou mãe ainda .. mas pretendo ser! E ja estou nesse medo de como será o meu parto, o medo da Cesarea e do PN ja estão eminentes em mim.
    Mas me emocionou esse texto, de verdade, a forma como você descreve os vários sentimentos durante a gestação é emocionante.

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