Introdução alimentar – o que é BLW?

Introdução alimentar – o que é BLW?

Pra quem tem bebê de 0 a 6 meses, a promoção ao incentivo do aleitamento materno exclusivo é de extrema importância. Até os 6 meses, o seu leite é o alimento essencial que seu bebê precisa, pois contêm todos os nutrientes, agentes imunológicos e até água! Se seu bebê já tem 6 meses ou mais, a introdução alimentar já começa com as famosas papinhas (doces ou salgadas), água, comidinhas semi-sólidas e evoluindo para sólidas. (Se você está querendo mais informações sobre introdução alimentar, clique aqui e leia um post completo sobre o assunto)

No entanto, nos Estados Unidos, Europa e agora começando aqui no Brasil, muitas famílias vêm aposentando o liquidificador e apostando na alimentação “self service” para bebês. Elas aderiram ao BLW, Baby Led Weaning, ou em tradução livre, o desmame que o bebê lidera. O termo foi criado pela consultora em saúde Gil Rapley e a técnica vem ganhando adeptos no mundo inteiro. O método é bem simples, significa, basicamente, colocar o bebê à mesa junto com a família na hora das refeições e deixar que ele pegue, com suas próprias mãozinhas, pedaços de alimentos. Ele prova. Se gostar, come, se não gostar, não come.

Os especialistas explicam que a partir dos seis meses a criança já está apta a comer pedaços (e não apenas papas) e não corre mais o risco de engasgar. O período coincide com o recomendado pela Organização Mundial da Saúde para o início da introdução alimentar, ao término do aleitamento materno exclusivo. Esse método consiste em vários benefícios para as crianças, entre eles estão que além do paladar, o método oferece a experiência sensorial – sentir o cheiro, segurar, testar, o que faz com que comer torne-se mais prazeroso para o bebê. Por isso, mesmo que ele não coma tudo que for oferecido, deixe que sinta os alimentos; não se preocupe com quantidade, ele sabe exatamente o suficiente que precisa; a comida não deve ser feita separada da comida da família – só evite os temperos picantes; deixe que a criança pegue o alimento e coma, é livre demanda! E o melhor de tudo, deixe ele se sujar a vontade. Se preferir, forre com jornal ao redor da criança.

Como funciona?

  • Sugere-se começar com “finger foods” , que são aqueles alimentos para comer com as mãos , para depois introduzir as texturas menores: pedacinhos, grãos inteiros e por aí vai; e por último aquelas que precisam de talheres. Para oferecer papas, purês ou molhos se sugere oferecer usando palitos de legumes, ou mesmo colocando a colher frente ao bebê para ele sozinho levar à boca. O bebê come no seu ritmo pelos seus próprios meios.
  • O seu filho escolhe o que deseja comer conforme suas necessidades orgânicas. A quantidade de comida é regulada por ele e não por você mamãe. Acredita-se que através da vontade de comer o bebê expressa suas necessidades orgânicas de nutrientes, por isso é importante oferecer escolhas nutricionalmente diferentes e complementares dentro do mesmo prato quando ele já conhece variedade de ingredientes.
  • O bebê participa de todas as refeições da família ativamente desde primeiro dia de alimentação complementar.
  • Não existem papinhas, papas ou refeições separadas para o bebê, ele vai acompanhar a dieta familiar, portanto, o principal é avaliar a dieta da família deixando-a mais saudável possível. Programe o cardápio da família para que o bebê consiga acompanhar pelo menos uma das preparações.
  •  Oferecem-se os alimentos que a família consome, alguns são adaptados para ele pegar sozinho para levar à boca. Se recomenda respeitar o esquema de introdução de apenas um novo alimento ou ingrediente a cada 2 dias. Dessa forma em 15 dias o bebê já poderá acompanhar a alimentação diária da família podendo escolher entre um universo de 5-6 itens. Ao final do 7° mês ele poderá ter experimentado até 30 ingredientes, praticamente todos os itens que configuram a base da dieta brasileira saudável.
  • Não dê comida na boca do seu filho. Se ele não consegue levar à boca sozinho não está pronto para comer esse tipo de alimento ou textura.
  • Não se oferece para o bebê o que ele não consiga comer sozinho.
  • Não se força o bebê a comer determinado alimento e nem determinada quantidade. A vontade dele de comer é a expressão de suas necessidades orgânicas de nutrientes. Esse principio é essencial para o método dar certo.
  • O bebê vai estar completamente no controle de seu próprio apetite e satisfação. Se ele quer comer come, se não quer comer não vai comer! O seu papel será oferecer.
  •  Não se coage o bebê a terminar o prato de nenhuma forma, nem prêmios e nem castigos. A alimentação deve ser da forma mais natural possível.
  •  Não se distrai o bebê com músicas, brinquedos, televisão ou qualquer outro truque para que ele coma mais.
  • Quando o bebê come ou morde mais do que é capaz de engolir você vai ver episódios de pseudo engasgamento onde poderá presenciar o “gag-reflex”, o bebê desengasgando sozinho, Não se apavore e nem tire o seu filho do lugar. Respire conte até 10 enquanto observa, o bebê sozinho se desengasga e cuspir para fora o que lhe atrapalhou. O risco de engasgamento real em BLW é menor ou igual ao de o método tradicional.
  • Você vai ter a sensação que o bebê não come nas primeiras refeições, e possivelmente só descubra o que comeu e quanto comeu após ver o coco.
  • Vai ter bagunça e lambança em toda refeição. Relaxe e desfrute. Essa fase durará pouco tempo e você irá sentir falta lá na frente.

Medidas de segurança

  • A alimentação da família que é oferecida deve ser de alimentos saudáveis. Nada de industrializados, leite de vaca e derivados ou mel antes de 1 ano.
  • O bebê deve ser capaz de se sentar sozinho, segurar objetos e levar a boca por própria conta.
  • Nunca deixe o bebê sozinho com a comida.
  • Nunca ofereça alimentos em posição deitada ou semi-deitada, corre aí o risco de engasgamento.
  • O dorso deve ficar livre para se mexer para frente e para atrás. Se possui a cadeirinha, use apenas o cinto ao redor da cintura.
  • Nunca abra a boca à força. Nem force engolir a comida.
  • Não o engane ou distraia para colocar comida na boca.
  • Não se apavore, não grite e nem assuste o bebê se o ele manifesta o pseudo-engasgamento ou gag-reflex.

Conteúdo especializado e assinado pela nutricionista infantil Micheane Alves (@nutripediatra no instagram)

Minha experiência com o BLW

Quando Alice começou a introdução alimentar, eu tinha certeza de que iríamos conseguir o tão sonhado BLW. Mas essa não foi bem a nossa realidade. Alice demorou meses para levar a comida até a boca, deixando claro um grande desconforto com as diferentes texturas a que era apresentada! Além disso tudo, o BLW requer uma dedicação, paciência e equilíbrio emocional muito grande por parte dos pais. Como deixamos a criança se alimentar só (mas nunca desacompanhada, hein?!) ela faz mais bagunça do que come, e para uma mãe (como eu) que luta para ver a filha ganhar algumas gramas, o desespero bate e fica.

Por isso, logo nas primeiras semanas de introdução alimentar, inseri as famosas e tradicionais papinhas doces (frutas) e principais (legumes, vegetais e carnes). Enquanto Alice não segurava a comida com a própria mão, eu oferecia o contato direto com a fruta segurando e levando até a sua boca! Demoramos para que ela se sentisse confortável, mas esse dia chegou de forma natural. Com o processo, descobri os milhares de benefícios do BLW, mas não tive mais interesse em por em prática. Hoje, prefiro incluir na alimentação de Alice comida de verdade (sem textura de papinha) e trazer novas experiências gastronômicas para ela. No final das contas, quem escolhe o método que será inserido é o BEBÊ. Não adianta forçar e se estressar. Esteja preparada para ambas possibilidades e tenha paciência, palavra chave para a introdução alimentar.

Por aí, vocês já estão se preparando para a introdução? Compartilhe a sua experiência e vamos conversar!

Beijos,
Ananda Urias
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Ananda Urias
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2 Comentários

  1. Flaviana Azevedo
    17 de Março de 2016 / 03:06

    O blw é incrível! Falta pouco para começar a introdução da minha Alice, e espero que a gente se ajuste bem ao método.
    Só acho importante ressaltar que a mãe ou outro cuidador que estará supervisionando o bebê saiba o que fazer durante um eventual engasgo, através da manobra de desengasgo. É algo raro de acontecer, mas devemos estar preparados.
    No mais, é só curtir o momento e se divertir com o bebê!

  2. Mykaella
    24 de Abril de 2016 / 23:11

    Esses seus posts me liberta Ananda. Começamos a introdução de frutas e legumes no quarto mês, indicação do pediatra, tem sido difícil. Hoje com cinco meses ela não come, não mama e não ganha peso mas pelo menos não perde. Vou seguir sua dica sobre a vitamina, só não sei se será adequado, a minha tem 5meses a sua 11 porém vamos tentar. O desespero bateu ao ouvir o estômago da minha filha fazer barulho sem querer o leite.

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