Terapia materna: Birra, entenda e saiba como agir

Terapia materna: Birra, entenda e saiba como agir

Hoje, o post está especial. Quem me segue nas redes sociais, sabe que a Carol Arruda do blog Infância e Maternagem é uma grande amizade e fiel companheira da maternagem, além de ser psicologa com enfâse na infância e na maternidade. Fiz o convite, e Carol aceitou: hoje o post aqui no blog é escrito por ela, com referências teoricas e baseado em sua conduta profissional. Vamos nessa? Tenho certeza de que vocês vão amar, assim como eu amei.

Toda criança já passou ou vai passar por esta etapa do desenvolvimento, consequentemente toda mãe e todo pai presente na rotina e envolvido com a dinâmica familiar irá vivenciar esta fase e ser desafiado por ela. Nesse post você vai entender e aprender como lidar melhor com um dos períodos mais impulsivos e difíceis da primeira infância: a birra.

O que é birra?

A “birra” é um tipo de repertório comportamental que entra em cena por volta dos 18 meses. A partir dessa idade, as crianças que estão em pleno amadurecimento cognitivo começam a internalizar o sentido da negação, e quando são confrontadas em situações que as frustram expressam reações súbitas de raiva e choro. Isso acontece porque elas ainda não possuem autocontrole dos seus sentimentos e emoções. Precisamos entender que os bebês e crianças agem em busca de satisfazer seus desejos e suas necessidades imediatas, essa forma de comunicação é conduzida por um mecanismo psíquico chamado “princípio do prazer”, no qual suas necessidades estão diretamente relacionadas à satisfação, e quando negadas vem a frustração instantânea. Mas, é importante reconhecermos que se trata de um processo adaptativo e de aprendizagem social próprio da idade. Porém, precisamos intervir com respeito e segurança assegurando um transição bem sucedida para fases subsequentes.

Bebês fazem birra?

Antes dos 18 meses de idade (em média), a criança que ainda é um bebê, chora e reclama pedindo atenção, e ajuda. Por não conseguir ainda fazer associações, não sabem lidar com negações nem usar recursos para atingir intencionalmente seus pais provocando reações interligando as situações às emoções.

Mesmo quando já estão maiores como Miguel, e demonstram aborrecimento em várias situações, fazem isso porque ainda não entendem o significado da negação, por exemplo, na imagem Miguel está chorando porque tirei o celular da boca dele, se jogou no chão aborrecido, mas, fez porque eu tirei do seu alcance algo desejado, contrariei uma necessidade imediata. Bastou distraí-lo com outra coisa que passou, pois, ele ainda não amadureceu a capacidade de executar mentalmente associações negativas.

A birra é um comportamento muito comum, e é parte essencial do desenvolvimento no segundo ano de vida. Aos 2 anos é o período mais especial, por isso os americanos resolveram chamar de “terrible two”, nesta idade, as crianças estão aprendendo a lidar com os limites e ainda não estruturaram outras formas para reagir às intervenções dos pais.

E como devemos reagir às reações de choro e aborrecimento dos bebês?

Com acolhimento, carinho e compreensão. Se está chorando, verifique se não é sono, fome, cansaço, calor, ou até mesmo tédio! Bebês se entediam muito rápido e por isso eles buscam tanto nossa atenção para distraí-los. Em geral, o colo é solução para tudo, e não estraga nem deixa mal acostumado, pois, quando são acolhidos se sentem confortáveis, seguros e confiantes.

Observe que quando eles amadurecem uma nova habilidade também ficam sensíveis, Miguel agora só que ficar em pé, quando deitamos ele o chororô e a gritaria é grande. Tento distraí-lo, mas quando não consigo faço do jeito que ele pede, para não contrariar. Afinal, para ele, que está descobrindo o mundo, tudo é fantástico, e para mim é fascinante. Tento aproveitar o máximo, sem estresse.

Tentem fazer o mesmo com seus bebês, tudo passa tão rápido, eles merecem toda nossa atenção. O período birra vai chegar, e se soubermos agir podemos sobreviver e passar por esta fase com sucesso.

Então, quando posso intervir, colocar limites e exercer minha autoridade com meu filho?

Por volta dos 2 anos se estabelece claramente o período de demonstrações de birras, isso acontece em decorrência do amadurecimento psíquico das funções responsáveis pela formação do Ego. Mas, você pode iniciar comandos educativos e de orientação já no final do primeiro ano. Por exemplo: um bebê que engatinha até um interruptor deve ser limitado, porém, nessa idade precisamos interromper seu percurso inserindo uma distração adequada, como oferecer um brinquedo, pegar no colo e advertir de forma curta e branda, pois, não vai adiantar você explicar pra um bebê de 12 meses que não tem a mínima noção do perigo que ele pode levar um choque ou que não é bom para ele. Ainda não há maturação psico-neurológica para internalização de tais comandos. É importante lembrar que as classes de idades não representam categorias fixas para o desenvolvimento, algumas crianças podem expressar tais características um pouco antes, e outras um pouco mais tarde, pois, o desenvolvimento humano é marcado por variáveis subjetivas.

Elas fazem tudo que for possível para conseguir realizar seus desejos e vontades imediatas. Começam a perceber que os pais pertencem a uma determinada realidade sócio-cultural, e que não podem dedicar-se apenas a eles porque possuem necessidades individuais e outros compromissos.

As demonstrações súbitas de raiva e contestações são comuns até o final dos 5 anos, mas, no decorrer desse período a aplicação de limites é substancial para o bom desenvolvimento emocional.

Seu filho não está em crise!

É importante os pais exercerem autoridade. Estruturar uma rotina para a criança e seguir uma flexibilidade ordenada, são coisas essenciais, ter hora para dormir, hora para comer, períodos pré-determinados de TV com início, meio e fim, participação parental nas atividades lúdicas, etc.

Esta é uma fase do desenvolvimento emocional, e o que vai definir as características individuais na persistência e forma de expressão dos acessos de birra será a forma como a família irá lidar com a dinâmica que envolve a criança.

É importante os pais ficarem atentos às condutas que estão adotando para dar ordens, e observarem se estão dispostos a cumprir aquilo que dizem que farão caso a criança não obedeça. Jamais use violência, agressão, nem qualquer outra conduta que humilhe e amedronte seu filho. Use a disciplina de forma positiva e acolhedora.

Você sabe dar ordens e instruções aos seus filhos?

Ou você é o tipo de mãe e pai que cede e prefere acabar de imediato com aquele choro ou aquela reação inesperada liberando a criança para tudo? Saiba que isso não ajuda, é uma bola de neve que cresce a cada recuo seu.

A maioria dos pais atualmente passa boa parte do tempo que estão com os filhos dizendo o quê fazer e não fazer, transmitem recados vazios e superficiais por não saberem lidar com as situações do dia a dia. Contudo, dar ordens e instruções apesar de ser uma tarefa que deveria está entre a primeiras práticas de uma rotina básica, é freqüentemente desconsiderada pela maior parte das famílias.

Você acha que está obtendo sucesso na maneira como dar instruções?

Comando aleatórios, sem estrutura (início, meio e fim) conduzirá a mais desobediência, pois, as conseqüências de não seguir as ordens é suplantada pelo esgotamento dos pais, o que gera sentimentos de insegurança e culpa.

Calma: seu filho não deixará de te amar!

Desde cedo é importante exercer autoridade e desempenhar limites, lembre-se que autoridade não tem nada a ver com autoritarismo. A criança aprende a tolerar restrições de maneira mais fácil quando as regras não são ordens rígidas, e sim propostas relativamente flexíveis.

Limites é uma prova de amor arbitrária, pois, contraria o desejo de quem é alvo (criança) e sensibiliza a segurança afetiva de quem o conduz (pais). Mas, é a forma de construirmos seres socialmente adaptados, fortes e emocionalmente seguros. Os bebês sentem desenvolvem apego pelos pais e pessoas próximas, e essa relação de apego se transforma em amor com o amadurecimento das relações e o avanço do desenvolvimento. Seu filho te amará e será grato por ensiná-lo a desenvolver autocontrole e mostrar que a vida social exige a compreensão de regras de convívio.

DICAS:

  • Quando for dar uma ordem ou instrução, não negocie com a criança. O melhor é optar por desenvolver propostas curtas e objetivas. Os pais têm que mostrar aos filhos que detém o poder de decisão. Dar uma ordem, não é fazer pedidos.
  • Um pedido ou uma pergunta dar espaço para escolhas, claro que é importante a criança desenvolver autonomia e fazer escolhas, mas ela vai desenvolver essa capacidade recebendo instruções, e comando educacionais estruturados. Ao contrário a criança cresce mimada, aprende a fazer birra para conseguir aquilo que deseja e se frustra com tudo.
  • Se seu filho (a) não atendeu ao comando, insira um limite de forma firme e mostre que o não cumprimento da ordem terá uma conseqüência criteriosa, e aqui, é imprescindível que você cumpra com aquilo que ordenou.
  • Não seja rígido demais, nem dê moleza demais, seja equilibrado, calmo e confiante. Caso ele (a) tenha obedecido, parabenize e recompense com uma demonstração de afeto e sentimentos positivos. Não negocie autoridade com objetos materiais, nem ganhos e trocas inanimadas (brinquedos). Seu filho aprenderá respeitar hierarquias, saberá viver bem em sociedade e alcançará sucesso dependendo dessa aprendizagem.
  • A criança cujos desejos são realizados sem limites e cujo dia a dia não possui regras de convivência terá sérios problemas emocionais. Próximo post vou falar sobre os transtorno emocionais e de personalidade que podem surgir como fruto da ausência de limites.

Eu sempre digo aos pais que me procuram que existe uma receita infalível para lidar com qualquer situação inusitada né desafiadora do desenvolvimento: uma boa dose de conhecimento e orientação aliada a sensibilidade parental cura e sara qualquer problema.

Um beijo e espero que tenham gostado.

Autoria: Carol Arruda Mello blog Infância e Maternagem

Referência

FRIEDBERG, Robert D.; McCLURE, Jessica M. A prática clínica de terapia cognitiva com crianças e adolescentes. Porto Alegre: Artmed, 2004.

Não deixem de conhecer o blog da Carol, eu sou suspeita para falar porque os seus conselhos e conduta materna me ajudam todos os dias! 🙂 Obrigada, amiga pelo post e por ajudar a tantas mamães desesperadas, como eu. rs!

Espero que vocês tenham gostado do post e se tiverem sugestões de temas sobre comportamento a serem abordados deixem nos comentários! Vou convencer Carol a escrever pra gente.. rs!

Ananda Urias
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Ananda Urias
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3 Comentários

  1. Fabíola Cristina Ribeiro Queiroz
    17 de Maio de 2016 / 11:56

    Adorei o texto, mas, dando exemplos acredito que mais gente poderá entendar mais claramente.

  2. Yasmin
    8 de junho de 2016 / 15:02

    Nossa que texto maravilhoso! Me fez repensar todo meu agir com minha bebê de apenas 8 meses que achei que já tinha crises de birra…

  3. Carol
    9 de junho de 2016 / 03:38

    Adorei todo o conteúdo , apenas fiquei esperando também como outra pessoa disse acima alguns exemplos práticos para ter certeza que entendemos bem
    Fico na dúvida de como seria a forma correta de falar, sem ser aberto demais nem. Autoritário demais ….

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